Wednesday, May 09, 2007

Fonte: Os Momentos

Frederico Hopffer Almada, mais conhecido por Nhônhô Hopffer, lança agora o seu primeiro álbum, intitulado “Nhara Santiago”. É um trabalho que vem agregar ao mercado discográfico algo de novo e de qualidade. Nhônhô Hopffer faz uma viagem panorâmica sobre os vários estilos da música cabo-verdiana, com paragens mais demoradas pelos ritmos da Ilha de Santiago, cujo título faz uma dupla homenagem, tanto à Ilha, aqui mater, como à própria filha. O músico, que é arquitecto tem um cunho próprio e pessoal. Inconfundível. Quem conferir, confirmará estas palavras. “Nhara Santiago”, uma prenda para este Natal e qualquer ocasião. Apetece gritar “Viva a Música”…

"Nhara Santiago" é disco que lança o arquitecto Frederico Hopffer oficiamente nas lides musicais. Como é que explica o binómio músico-arquitecto?
Sinto-me perfeitamente bem na pele de um ou de outro, aliás acho que as duas áreas se complementam, é difícil encontrar um arquitecto que não goste e muito da música ou de tudo que é arte e cultura. Alguém já dizia que a arquitectura é a mãe de todas as artes. Entretanto, considero-me mais como intérprete do que músico. Este meu disco me completa espiritualmente. Nunca teria paz até realizar este sonho. Eu, a minha família e Deus sabemos.

"Nhara Santiago", tal qual "Traz di Som", de Ângelo Barbosa, parece ser um projecto federador de artistas e suas sonoridases. Que razões o levaram a elencar um sem número de músicos neste disco? Qual é a causa sentimental deste trabalho?
Como disse no projecto que apresentei aos financiadores tinha já havia a garantia técnica do exímio Kim Alves e seu Kmagic Digital Studio. Contudo, quis sempre ter o grande “abraço”, o máximo possível de amigos músicos nesta “aventura” séria. Eu sou assim. Quis que viajassem comigo neste disco. O resultado penso que está à vista e todos os músicos que participaram, incluindo os compositores, estão satisfeitos. Espero também que principalmente o público venha a gostar deste projecto.

Entre Santiago, maternal e matricial, e a sua filha, há um fio condutor evidente e razão onde emerge o título deste trabalho. Fale-nos um pouco desta relação e desta simbiose.
É verdade. O disco chama-se Nhara Santiago. Eu dediquei este disco ao Caboverdiano, mas sobretudo à ilha de Santiago. Eu adoro Santiago. Como nome e como ilha. Tanto adoro que a minha primogénita chama-se Nhara Santiago que também deu nome ao disco e é também o título de uma das 12 faixas que compõe este CD.
A letra e música pertencem ao amigo e compositor Mário Lúcio oferecido e cantado na noite de “sete” da Nhara.

Um disco de mornas e funanás. Como é o processo criativo de Nhônhô Hopffer?
Escolhi os dois ritmos que no meu entender, mais força possuem em Cabo Verde. A morna, pela sua expansão e ao mesmo tempo por acalentar a saudade e o romantismo, e o funaná pela sua explosão, sobretudo no período pós independência, transportando-nos, assim, para as nossas origens e hoje indiscutivelmente música nacional.
Queria também dizer que as mornas e funanas serviram também de homenagem à memória de algumas personalidades da nossa cultura como; Eugénio Tavares, Carlos Alberto Martins (Catchás), BLeza, Orlando Pantera, Zequinha, Ildo Lobo, Ano Nobo, Caetaninho e Bibinha Cabral.

A selecção foi muito cuidada. Ao seleccionar artistas e composições, já estaria a formular uma mensagem particular ao público cabo-verdiano? Trata-se tão só de música ou há algo mais a ser revelado?
Depois de tanto tempo à espera para a gravação do meu primeiro CD, não queria deixar de compartilhar com o merecedor povo Cabo-verdiano o que considero ser entre os melhores: músicos e compositores.

Quando e como vai ser o lançamento de "Nhara Santiago"?
Está previsto para o início do próximo ano, e julgamos poder ser em diferentes momentos e locais e em jeito de divulgação da nossa cultura.

E depois do lançamento, quais os planos futuros?
Quem sabe?! Um novo CD intitulado Frederika Santamaria, mantendo, pelo menos, a mesma qualidade.
O CD de Nhonhó Hopffer Almada

02-01-07

Frederido Hopffer Almada deve orgulhar-se de Nhônhô: o seu primeiro “CD” revela uma voz sensual e ausência de monotonia. Por Otilia Leitão

Foi visível, em Lisboa, a alegria de Nhônhô Hopffer pelo seu primeiro álbum discográfico, a apresentar em Janeiro -“Nhara de Santiago” - , a mesma satisfação que o arquitecto Frederico Hopffer Almada, perante a minha curiosidade, me fala de obra feita: o edifício do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o da Caixa Económica... o BCA, o projecto da Caixa Económica, tantas casas...e até os desenhos que em jovem fazia na Assomada para multiplicar os cartazes cinéfilos que eram uma raridade... e depois há ainda a rebeldia dos tempos de estudante na Roménia.

“Gostava que ouvisse o meu disco!”, insistia, perante a minha frustração pela nega que recebi da recepcionista do Hotel onde o procurei, sem o conhecer, mas identificando-o instantaneamente, tais as semelhanças familiares que me ocorreram à memória e a acentuação do sotaque crioulo de Santiago!

«E se fóssemos ouvir o disco num café... num bar..?», insistiu. Mas, os sitios possíveis estavam fechados nesta manhã lisboeta, a parecer que os seus habitantes estão numa ressaca letárgica do Natal até ao acordar do novo ano 2007.

Frederico Hopffer Almada, o arquitecto, fala-me do Nhônhô, o outro, que não é mais de que uma faceta de um mesmo indivíduo que não esconde a paixão pelo seu país, Cabo Verde, a sua ilha, Santiago, a sua terra de berço, Santa Catarina, e que gosta sobretudo da sua família e dos amigos. O próximo trabalho, confidenciou-me, “será em honra de Frederika Santa Maria, a minha filha mais nova”.

“Nhara de Santiago” é o nome da sua filha mais velha, de oito anos, sobre a qual o compositor e músico Mário Lúcio compôs uma letra aquando do seu nascimento. Além deste poema inédito, o álbum reúne outras onze composições de autores conceituados, como Zezé di nha Reinada, Sema Lopi, Kim di Santiago, Kaká Barbosa, Antero Simas, B.Leza, Nhelas Spencer, Antero Simões, Kim di Santiago, Betú.

Produzido nos estúdios cabo-verdianos de Kim Alves com a colaboração de muitos músicos enumerados na capa do CD, a obra já começou a suscitar curiosidade nos meios de comunicação social portugueses.

De regresso a casa, ouvi o disco que Frederico me oferecera... Fiz cinco quilómetros num ápice, embalada pelas mornas de Nhônhô, que me fizeram lembrar Ildo Lobo. Certamente que este excepcional músico que foi seu amigo e que com ele cantou pela última vez, numa gala por S. Tomé e Príncipe, ficaria surpreendido se o pudesse ouvir...

Pois claro! Compreendo agora a sua alegria. Frederico Hopffer Almada pode orgulhar-se de obra feita! Agora também com “Nhara de Santiago” mais um passo da realização humana.

Por Otília Leitão



Foi visível, em Lisboa, a alegria de Nhônhô Hopffer pelo seu primeiro álbum discográfico, a apresentar em Janeiro -“Nhara de Santiago” - , a mesma satisfação que o arquitecto Frederico Hopffer Almada, perante a minha curiosidade, me fala de obra feita: o edifício do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o da Caixa Económica... o BCA, o projecto da Caixa Económica, tantas casas...e até os desenhos que em jovem fazia na Assomada para multiplicar os cartazes cinéfilos que eram uma raridade... e depois há ainda a rebeldia dos tempos de estudante na Roménia.

“Gostava que ouvisse o meu disco!”, insistia, perante a minha frustração pela nega que recebi da recepcionista do Hotel onde o procurei, sem o conhecer, mas identificando-o instantaneamente, tais as semelhanças familiares que me ocorreram à memória e a acentuação do sotaque crioulo de Santiago!

«E se fóssemos ouvir o disco num café... num bar..?», insistiu. Mas, os sitios possíveis estavam fechados nesta manhã lisboeta, a parecer que os seus habitantes estão numa ressaca letárgica do Natal até ao acordar do novo ano 2007.

Frederico Hopffer Almada, o arquitecto, fala-me do Nhônhô, o outro, que não é mais de que uma faceta de um mesmo indivíduo que não esconde a paixão pelo seu país, Cabo Verde, a sua ilha, Santiago, a sua terra de berço, Santa Catarina, e que gosta sobretudo da sua família e dos amigos. O próximo trabalho, confidenciou-me, “será em honra de Frederika Santa Maria, a minha filha mais nova”.

“Nhara de Santiago” é o nome da sua filha mais velha, de oito anos, sobre a qual o compositor e músico Mário Lúcio compôs uma letra aquando do seu nascimento. Além deste poema inédito, o álbum reúne outras onze composições de autores conceituados, como Zezé di nha Reinada, Sema Lopi, Kim di Santiago, Kaká Barbosa, Antero Simas, B.Leza, Nhelas Spencer, Antero Simões, Kim di Santiago, Betú.

Produzido nos estúdios cabo-verdianos de Kim Alves com a colaboração de muitos músicos enumerados na capa do CD, a obra já começou a suscitar curiosidade nos meios de comunicação social portugueses.

De regresso a casa, ouvi o disco que Frederico me oferecera... Fiz cinco quilómetros num ápice, embalada pelas mornas de Nhônhô, que me fizeram lembrar Ildo Lobo. Certamente que este excepcional músico que foi seu amigo e que com ele cantou pela última vez, numa gala por S. Tomé e Príncipe, ficaria surpreendido se o pudesse ouvir...

Pois claro! Compreendo agora a sua alegria. Frederico Hopffer Almada pode orgulhar-se de obra feita! Agora também com “Nhara de Santiago” mais um passo da realização humana.

Por Otília Leitão


“Djinho, nsta conta ku bó na nha disco”.
Esta é a frase que ouvi logo que Nhonhó começou o seu projecto.

Segui mais ou menos a fase de preparação e gravação do CD.
Deu para sentir a grande carga de entusiasmo e a entrega do Hopffer às músicas.

A pontaria do Nhonhó começa com a escolha do reportório. Cantar BLeza, Betú, Sema Lopi, Antero Simas, Nhelas Spencer, Kaká Barbosa, Mário Lucio, Kim di Santiagu e Zezé di Nha Reinalda significa ter requinte na escolha. E claro impõe uma responsabilidade a quem canta.
´
Isto já foi dito.
O que acho que ficou por dizer é que Nhonhó é um cabo-verdiano de sorte.
Sorte tamanha por ter os amigos que tem. Muitos músicos; gente que ao se encontrarem para dedicar um disco a pequena Nhara Santiago, foram buscar o melhor da sua sensibilidade.

Resultado! Música…
Música que vem para ficar. Nhonhó será sempre lembrado por ter dado esta oportunidade há música para se revelar sempre com mais qualidade.

A meu ver o projecto Nhara Santiagu tem um significado simbólico de alto valor por promover uma celebração da amizade e/ou admiração que Nhonhó tem pelos compositores que escolheu para cantar e, por outro lado, por deixar de forma clara a sua paixão por esta ilha de Santiago que ele há de defender sempre com garra.

Nhara Santiagu (de Mário Lúcio), Kor di Fodjada (de Kaká Barbosa) e Nha Terra Scalabrod ( de Nhelas Spencer), são temas obrigatórios no repertório da própria caboverdianidade.

De uma coisa tenho a certeza. O sucesso deste disco não vai acontecer hoje, nem em nenhuma sala de Paris. Este sucesso virá sim, quando Nhara Santiagu, a filha, crescer.

Son di Santiagu agradece a todos, especialmente aos músicos que participaram no projecto.

Obrigado Nhonhô por este edifício. Posted by Picasa